Outono
Trechos do poema de Mário Pederneiras
Outono!
Qualquer coisa lilás,
Schumann em violino,
Angelus tangido em lentidões de sino,
Preguiçoso torpor de um fim de sono,
Espelho de água quieta dos canais!
Lá fora
A descida,
O crepúsculo inócuo destes dias,
A tristeza das folhas amarelas,
E a cantar sobre estas ruínas frias
A monótona toada de meus versos.
(...)
A natureza é quieta,
O Sol é menos quente,
Menos gárrula a ave.
Anda por tudo uma impressão de sono
E a luz é um eterno poente.
O teu verso também é mais lento e suave!
É o Outono,
Poeta !
Pela vida e no Céu a mesma placidez,
A mesma luz que, em calma, aclara e brilha.
O mesmo aspecto de cansaço humano.
O Outono que os troncos encarquilha
E as folhas oxida,
É a mais calma, talvez,
Das estações do ano
E a mais suave também das épocas da vida.

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