Teologia do Deslumbramento
Neste livro Turley sugere caminhos, mostra uma direção para uma renovação cultural nesse momento que o mundo encontra-se à beira de um colapso. Cada um poderá lê-lo e interpretá-lo conforme o chão que os seus pés pisam. O enriquecimento da obra está no fato de todo o tempo o autor basear-se em escritores que buscam a contemplação do Verdadeiro, do Bom e do Belo como Chesterton e Lewis, e usar várias referências dos escritores ingleses.
Ao começar a ler a obra, o autor já questiona sobre o que fazer quando nossos alunos (aqui lê-se também, filhos) são tão irreverentes e insolentes. O que está por detrás desse cinismo? Por que alunos são tão desdenhosos e ficam tão entediados com as disciplinas que amamos? Há duas razões de nossos alunos serem cínicos:
1) Com o Iluminismo, propagou-se a ideia que só se aprende por meio da dúvida. O conhecimento estava limitado unicamente àquilo que pudesse ser verificado pelo método, isto é, a aplicação da ciência e da razão.
2) Eles olham os sistemas como sendo fabricados. Isso quer dizer que os alunos intuem que todas as normas culturais, todas as leis sociais são inerentemente arbitrárias; estas não refletem nenhuma moral cósmica transcendente e estão lá somente porque algumas pessoas têm o poder de colocá-las lá.
Sendo assim, como nós, educadores e pais, responderemos a esse cinismo enraizado na dúvida e no poder?
Para dar uma resposta convincente a esses desafios, o autor aprofunda o problema intitulando o próximo capítulo de “O mundo percebido por histórias e óculos”, em que discorre sobre uma filosofia de conhecimento alicerçada na dúvida. O ceticismo coloca o indivíduo na incurável e arrogante posição de juiz e júri do mundo. A educação na era moderna tem sido reduzida ao aprendizado de um conjunto de habilidades sociais e tecnológicas que sirvam para a vida e estejam concordes com a sociedade moderna, sendo o valor da educação mensurado proporcionalmente à utilidade socioeconômica que exerce. O autor expõe sua preocupação com os efeitos desumanizantes de um pragmatismo e um utilitarismo enlouquecedores: O pai ou o professor é quem agora deve convencer os alunos de que sua aula ou seu livro ou matéria são dignos do tempo e da atenção deles. Num mundo desprovido de qualquer significado e propósito inerentes, tudo termina girando em torno de si.
Afinal, o que fazer diante desse cenário?
Em “O papel do Deslumbramento na Educação Clássica” o primeiro parágrafo deste capítulo inicia-se com Aristóteles: “é devido ao deslumbramento que os homens, agora e desde muito, começam a filosofar”. (Metafísica – 982b)
O deslumbramento (…) era (…) considerado um verdadeiro movimento racional da mente visando o novo conhecimento”, de acordo com Richard Harp.
Eis portanto o termo philosophia: “o amor à sabedoria”. Impulsionado por esse amor pela sabedoria, Josef Pieper, um dos autores citados, comenta que “o deslumbramento não é somente o ponto de partida da filosofia no sentido principium. (…) A forma interna do filosofar é praticamente idêntica à do deslumbrar-se”.
O autor perpassa pelas Artes Liberais, explicando algumas coisas do Trivium e Quadrivium. Desenvolve uma explicação sobre a importância do latim, liturgia, arquitetura, entre outras riquezas do universo cristão.
Na segunda parte, usa o mito das Musas para explicar que para algo ser verdadeiramente Belo, deveria ser tanto Verdadeiro quanto Bom. O título “Amor ou Lascívia? Como ensinar Beleza aos alunos com eficácia se trata de um referencial de perguntas no qual devemos encaminhar os nossos educandos. A Beleza desperta o desejo de entregar-se ao objeto de atração; já a falsa beleza desperta o desejo de controlar o objeto da atração. (…) A Verdade atrai, é convidativa; a mentira seduz, leva ao engodo.
Ao final do livro, o autor apresenta O segredo para gerar um aluno que ame a sua disciplina, dando dicas de como envolver e valorizar a literatura, enxergar o mundo através dos números, das formas e das cores. Em seguida mostra Quatro maneiras de cultivar hábitos da Graça em sua escola onde a escola torna-se um ambiente de modo que a natureza humana deles floresça, a saber: Ajude-os a enxergar a escola como espaço sagrado, lugares especiais exigem regras especiais; Mostre aos seus alunos que as regras escolares permitem que coisas boas aconteçam sem restrições e elogie os alunos por incorporarem coisas boas; Cultive liberdade para jejuar, assemelhar-se a Cristo requer considerar as necessidades dos outros como mais importantes que as nossas, isso servirá tanto para evitar conflitos quanto para resolvê-los; e por último, Cultive em seus alunos apreço por honrar os professores, Deus não enviou Seu Filho ao mundo para fazer o que bem entendesse. (…) você está se relacionando com seus professores e com seus pais de forma análoga, à maneira como o Filho tem se relacionado com o Pai.
A esperança do autor é que, ao final da leitura, o professor ou o pai, entenda que a finalidade da educação é a virtude, que tenha acumulado informações que alimentem a mente e o coração, que consiga ver e ensinar o mundo como dom divino, que nossos filhos e alunos comecem a ver todas as coisas à luz daquele por meio do qual o chamado deles é justamente o chamado ao deslumbramento e ao maravilhar-se.
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TURLEY, Steve.Teologia do deslumbramento, da Editora Trinitas: 2019
Dr. Steve Turley, PhD pela Universidade de Durham, é internacionalmente reconhecido como pesquisador, palestrante, autor e violonista. Ele é o autor de diversos livros em educação cristã clássica, teologia, política e artes. Ele é professor da escola cristã clássica Tall Oaks, em New Castle, DE, nos EUA, onde leciona teologia, grego e belas artes, além de atuar como professor na Eastern University, onde leciona belas artes.
Fiquem com Deus!
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