2 de abril, Dia Internacional do Livro Infantil
Foi escolhida para celebrar a literatura infantil e homenagear o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, um dos principais nomes da literatura mundial, autor, por exemplo, de obras como A pequena sereia e O patinho feio. Filho único de um casal de baixa renda, sempre fora apaixonado por teatro, tinha a ambição de tornar ator e escrevia peças e poemas. Em 1835, publicou seus primeiros contos de fadas. Andersen é um dos escritores mais famosos de histórias infantis e a premiação mais importante de literatura infantojuvenil foi batizada com seu nome. Faleceu em 1875, na Dinamarca.
A Coleção Disquinho, da Warner Music, fez uma adaptação de uma das suas histórias em versos. Esta coleção, embalou várias gerações de crianças e, ainda hoje, está no imaginário de quem viveu aquela época.
É possível ouvir o áudio pelo link O Rouxinol do Imperador no YouTube.
No livro de Contos Tradicionais, Fábulas, Lendas e Mitos lançado pelo MEC, em 2000, encontra-se essa história em prosa. Baixe aqui.
O Rouxinol do Imperador
Existiu na velha China,
país de lenda e esplendor
um rouxinol que cantava
nos jardins do Imperador
O seu canto era tão belo
tão suave seu gorjear
que vinha gente de longe
só para ouvi-lo cantar.
Mas contemplando os tesouros
Que guardava o Imperador,
Desconhecia os encantos
do passarinho cantor.
_Passo todo dia,
Passo o dia inteiro
Cheio de alegria
a contar o meu dinheiro
Vejam quanto ouro
eu estou guardando
e assim meu tesouro
eu vou aumentando.
No entanto, um poeta
musicista de escol
escutou pela floresta
o canto do Rouxinol
_Oh! Que maviosos trinares
Cheios de suaves alegria
Vou descrever este canto
numa linda melodia
E a canção ficou famosa
A China inteira vibrou
Até que um dia afinal
O Rei também a escutou
“Nos jardins do Imperador,
Nas lindas manhãs de sol
Há um pequeno cantor
Um agrasso Rouxinol
A China inteira conhece
O pássaro pequenino,
pois quem ouve não esquece
aquele canto divino…
_“Nos jardins do Imperador...” -
Mas esse jardim é o meu!
Pois a China é o meu império
e o Imperador sou eu!
_ “A China inteira conhece.” -
A China inteira conhece?
Pois tenho em casa
um cantor que eu nunca cheguei a ver?
E muito preocupado
o Rei chamou um criado:
_Tringuilim! Ó Tringuilim!
_ Aqui estou Majestade.
O que desejas de mim?
_Quero que tragas depressa
um passarinho cantor
que gorjeia alegremente
nos jardins do Imperador.
_Um passarinho que canta?
Não pode ser, essa não!
Aqui só tem gafanhoto
devastando a plantação!
_No entanto, o pássaro existe!
E tens de encontrar o bicho.
Senão… mandarei cortar
a ponta do teu rabicho!
_Sim senhor! Mas que tristeza
Você está vendo, amiguinho…
tenho de encontrar agora
um pequeno passarinho!
Mas é bom ir procurando
Preciso encontrar o bicho,
pois senão o Imperador
vai cortar o meu rabicho!
_ Tringuilim, mas com efeito
Porque chora desse jeito?
_Por causa de um Rouxinol
que o rei disse estar aqui.
Um passarinho cantor,
mas juro que nunca o vi.
_E por isso está chorando?
Ora, creia no que digo:
Eu conheço o Rouxinol
Ele é muito meu amigo.
Vamos! Pare de chorar,
pois amanhã bem cedinho
Eu prometo ir com você
procurar o passarinho.
E assim no dia seguinte
Antes de nascer o sol
foram os dois à floresta
em busca do Rouxinol.
_Vamos pela mata,
alegres a cantar,
a manhã está linda
e o sol já vai brilhar!
_Mas estou cansado
com meus pés doendo.
Veja lá, menina,
o que está fazendo!
Surge pelos campos
à luz do arrebol
e logo acharemos
nosso Rouxinol.
_Oh! Que voz forte e vibrante!
É ele que está cantando?
_Nada disso, Tringuilim!
Isto é um cabrito berrando.
_Mas agora eu não me engano,
deve ser o passarinho!
_Pois enganou-se outra vez.
Isto é um zurrar de um burrinho.
Oh! Ei-lo que vem cantando!
Você não está escutando?
_Estou sim, mas que fraquinho!
É este o tal passarinho?
Sim, é esse o Rouxinol
O mavioso cantor
que gorjeia alegremente
pelos jardins do Imperador.
Espere que vou chamá-lo.
Preste atenção, Tringuilim.
Ele virá ter comigo,
pois gosta muito de mim.
Rouxinol! Rouxinolzinho!
Quero pedir-te um favor:
Gostaria que cantasse
para nosso Imperador.
_Cantar para o Imperador?
Que diz você, amiguinha?
No palácio há bons artistas
com voz melhor do que a minha.
_Ora, deixe de modéstia.
É tão belo o teu cantar…
Vem hoje mesmo ao palácio
Nosso Rei quer te escutar.
_Pois irei, fique tranquila
Se esta é a sua vontade
hoje mesmo cantarei
para Sua Majestade.
Desse modo, horas mais tarde
viram todos que moção,
surgir o Rouxinol
gorjeando uma canção!
Cantou por muitos dias
no palácio alegremente,
até que um dia afinal,
recebe o Rei um presente.
_Oh! É um pássaro de corda!
Vejam que preciosidade!
E ele canta bem melhor
que o Rouxinol de verdade!
E o Rouxinol da floresta
Vendo aquela ingratidão
Fugiu triste do palácio
em busca de solidão.
E o pássaro de brinquedo
Dia e noite, noite e dia
Vibrava sua canção
sempre aquela melodia.
Até que um dia, afinal,
a sua corda quebrou
e o Rei cheio de tristeza
desanimado chorou:
_Como é grande a minha dor
e a minha solidão…
Quem pode viver, senhor,
sem ouvir uma canção?
Vejam que infeliz eu sou,
pois fiquei sozinho agora,
este pássaro quebrou
e o outro foi-se embora…
Rouxinol, meu Rouxinol!
Não fiques calado assim
Ao menos ao por do sol,
canta, canta para mim!
Mas o pássaro quebrado
para sempre emudeceu
No entanto, mas que surpresa!
Como foi que isso se deu?
Oh! És tu meu Rouxinol!
Tu vieste novamente.
Obrigado, meu amigo!
Oh! Céus! Como estou contente!
Sim! Era o Rouxinolzinho
Que surgia da amplidão
E o Rei ouvia e chorava,
mas chorava de emoção!
_Oh! Perdoa o que te fiz
Não foi por mal, amiguinho
mas volta a morar comigo,
meu querido passarinho.
_Não posso, Real Senhor,
mas virei todos os dias
cantar em suas janelas
minhas lindas melodias.
Vivo alegre na amplidão,
cheia de encanto e beleza,
adoro minha floresta,
o meu lar é a natureza.
Entretanto, aqui virei
confortar-lhe o coração
trazendo sempre a alegria
em forma de uma canção.
E assim por muito anos
saldando a luz do arrebol
Escutava o Imperador
o canto do Rouxinol.
Aqui tem alguns links de edições que trazem essa história contada de outras formas. Confira!
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