Trechos extraídos do Livro Antologia Brasileira, Seleta de escritores Nacionais. Texto de Capistrano de Abreu, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Continuando a avistar a terra, que se prolongava, julgou, entretanto, Cabral ter descoberto uma simples ilha, a que chamou Vera Cruz, nome que foi mais tarde, talvez em 1504, substituído por — Brasil —, devido a existência no país de abundantes árvores de uma madeira avermelhada, própria para a tinturaria, e chamada — pau brasil — por sua semelhança com a cor da brasa.
Buscando um ponto apropriado para desembarcar a frota, encontraram-no excelente e abrigado, chamando-o de Porto Seguro: “Ao sábado(…) fomos demandar a entrada, a qual era muito larga e alta, de 6 e 7 braças e entraram todas as naus dentro e ancoraram-se em 5 e 6 braças, a qual ancoragem dentro é tão grande e tão fremosa, e tão segura que podem jazer dentro mais de duzentos navios e naus”.
Em terra, ergueram uma grande cruz, emblema da Religião Católica, com as armas de Portugal.
Em 26 de abril, celebraram uma Missa, (a primeira em nossas terras!) pelo capelão da frota, Frei Henrique. Em um ilhéu da baía, construído um altar, cantou-se Missa domingo da Páscoa. Frei Henrique pregou sobre o Evangelho do dia. A ressurreição do Salvador, as aparições misteriosas aos discípulos, a incredulidade de Tomé, o apóstolo das índias, diziam bem com a situação estranha. No fim da pregação o frade “tratou da nossa vinda, e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da cruz, sob cuja obediência viemos”.
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