Poesia e Verso



A poesia e verso

Utilizando termos mais simples, a poesia distingue-se, à primeira vista, da prosa porque seu instrumento é o verso, a linha curta. A linha do verso não ocupa o espaço de uma linha de prosa. Claro, isto não é tudo. O verso tem rima - embora não necessariamente - e um ritmo que se diferencia da prosa.  Há interessantes poesias musicadas, cantadas. 

Por sua natureza sonora, auditiva, ela deve ser ouvida, lida em voz alta. Deve ser curta e leve. Todo poema é uma obra de arte vivenciada pelos movimentos rítmicos, pela dramatização, pelos jogos sonoros, pelas mensagens experimentadas e sentidas, em relação à sua riqueza de conteúdo e de linguagem.

A linguagem figurada é composta de símbolos, imagens e comparações que são elementos próprios da poesia. Para o professor, isso não se torna uma barreira, uma vez que seja orientada pelo mesmo, levando em consideração as proporções que dizem respeito ao desenvolvimento mental da criança, apresentando-lhe poesias que  identifiquem-se com ela.

A poesia infantil deve apresentar certos requisitos: ritmo, sonoridade, simplicidade, clareza, narrativas, ações, dramaticidade, humor entre outras coisas. Cabe ao professor/educador selecionar as poesias de acordo com os interesses relativos à idade, e fazer com que as crianças leiam-nas com emoção e sentimento.

Poesia é arte, e arte não se ensina, mas se leva à criança para que ela se identifique. A arte nos causa um querer algo mais, um querer que não acabe, com relação a tudo aquilo que nos rodeia: aquela paisagem, aquele livro, aquela música etc. Não podemos impô-la à criança e tão pouco basta dizer-lhe que é bonita, que é interessante, mas podemos conduzir a criança a descobrir essas qualidades por si própria, mostrar-lhe os recursos para alcançar a finalidade dessa beleza que é tanto boa quanto verdadeira. Mostrar-lhe que a beleza que encontramos na poesia é a beleza que existe nas coisas e nas criaturas, e que daí foi recriada.

Um trecho do livro que inspira a nossa página, O Vento nos Salgueiros, descreve o que a arte nos desperta, o que a poesia faz florescer dentro de nós:

_Sumiu! - lamentou o Rato, sentando-se novamente. - Tão lindo e diferente e novo! Se era para durar tão pouco, eu quase preferia não ter ouvido. Porque fez nascer em mim um sentimento que dói, e nada parece mais importante do que ouvir aquele som outra vez e continuar a ouvi-lo para sempre.”

Leve a criança ao campo, mostre-lhe o artesanato de um ninho, uma flor desabrochando de uma pedra, uma vaquinha acariciando seu bezerrinho, e tantas outras expressões de beleza e ternura concretas, e você estará suscitando na criança a sensibilidade para que, mais tarde, se lhe possa apresentar a poesia de uma  forma mais abstrata e plena.

A educação sem a arte, sem a cultura, não prepara nem o homem e muito menos a civilização, mas apenas cria e condiciona exércitos de cérebros mecanizados. A ciência sem a cultura é empobrecida e apenas reduz o homem a um simples ferramenta, peça de equipe a serviço de uma engrenagem técnica. A técnica informa, mas só a cultura forma o homem.

Finalizo com uma frase do poeta britânico, Philip Larkin :

Quando escrevo um poema, tento construir um mecanismo verbal que, com sua leitura, me restitua a emoção que originalmente experimentei. Um poema é algo parecido com uma máquina automática na qual o leitor introduz a moeda da sua atenção.”


Segue abaixo links de atividades para o 2º ano, espero que os inspire:

Atividade com o Poema "Gato da China" de José Paulo Paes

Atividade com o Poema "O Peru" de Dom Marcos Barbosa


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