Outono por Olavo Bilac

 


"Toda a boa poesia é o transbordar espontâneo de poderosos sentimentos; e embora isto seja verdade, nunca houve poema, sobre qualquer tema, ao qual pudesse atribuir-se algum valor que não fosse produzido por um homem que, além de estar dotado de sensibilidade orgânica fora do comum, pensou também longa e profundamente."  William Wordsworth

Escolhi essas palavras para descrever um grande poeta, jornalista e contista brasileiro que se dedicou à literatura infantil. Foi um dos principais representantes do Movimento Parnasiano que valorizou o cuidado formal do poema, em busca de palavras raras, rimas ricas e a observação das regras da composição poética. É membro fundador da Academia Brasileira de Letras, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, mais conhecido por Olavo Bilac. 

Com um livro dedicado exclusivamente à Poesias Infantis, Bilac, nas duas primeiras décadas do século XX, teve seus sonetos de chave de ouro decorados e declamados em toda parte, nos saraus e salões literários comuns na época.

Aproveito hoje, 21 de março, início do outono, para destacar um trecho do poema "As estações" dedicado à essa data.

Outono:

Sou a estação mais rica:

A árvore frutifica

Durante esta estação;

No tempo da colheita,

A gente satisfeita

Saúda a Criação,


Concede a Natureza

O prêmio da riqueza

Ao bom trabalhador,

E enche, contente e ufana,

De júbilo a choupana

De cada lavrador.


Vede como o galho,

Molhado inda de orvalho,

Maduro o fruto cai...

Interrompendo as danças,

Aproveitai, crianças!

Os frutos apanhai!

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