O Homem Areia

 



O Homem de Areia, personificação mítica do sono, aparece em muitas lendas e contos do folclore europeu. Em algumas versões é uma criatura malévola, como no célebre relato de E.T.A Hoffmann; em outras, é um duende tímido que adormece as crianças, como o João Pestana da mitologia portuguesa, ou um ancião bondoso de barba branca, como o Pedro Chosco do folclore galego.
Andersen transforma o Homem de Areia em “Olavinho Fecha-os-olhos” (Ole Lukøje), um simpático duende que ama as crianças:
“Sobe de mansinho as escadas, pois anda em meias, abre a porta devagarinho e puf!, esguicha leite doce nos olhos, suavemente, suavemente, mas sempre o bastante para que não possam mantê-los abertos e, portanto, vê-lo. Passa sorrateiro por detrás, sopra-lhes levemente na nuca tornando-lhes a cabeça pesada. Oh! Sim! Mas não lhes faz mal, pois Olavinho Fecha-os-olhos quer o bem das crianças. Só quer que venham a estar quietas e assim o estão quase sempre, quando as levam para a cama. Têm de ficar sossegadas para que ele possa contar-lhes histórias […]".
Olavinho Fecha-os-olhos traz dois guarda-chuvas: um cheio de sonhos, para as crianças boas; o outro, vazio, para as crianças sapecas.
Este precioso conto de Andersen nos ensina que detrás de todas as coisas, até das mais insignificantes, há uma fascinante história que contar.

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