Expor minha filhinha ao sol ardente -
Mamãe diz que é um perigo:
Quero sentar-me ao delicioso abrigo
Deste arbusto virente.
A sombrinha de seda cor-de-rosa
Torna a luz tão suave!…
No arvoredo palpita um ninho de ave
Sob a fronde cheirosa.
Meio-dia. Um barulho de água viva
Cortando o fresco atalho
Do bosque, em fino leito de cascalho
Marulhoso deriva.
Minha filhinha, a todo encanto alheia,
Descansa em meus joelhos;
E nos seus lábios doces e vermelhos,
Leve sorriso ondeia.
Pesa-lhe o sono; já entreabre a custo
Os olhos sonolentos,
E adormecê-la assim exposta aos ventos,
Causa-me grande susto.
Tão melindrosa e frágil! Pobre anjinho!
Traz-me em perpétuo anseio…
Quem me dera escondê-la no meio seio
Em faixas de carinho!…
E conservá-la assim – meu sonho eterno -
No íntimo do peito,
E de amor construir-lhe o níveo leito
No coração materno!…
Poesia de Zalina Rolim
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